As denúncias de corrupção, cada vez mais freqüentes no Brasil, tem acarretado numa má notícia para a política e a democracia nacional. Desde o “mensalão”, que trouxe, junto à crise no Governo, a queda de parlamentares e ministros, até as recentes denúncias sobre cartões corporativos, a opinião pública desaprova a cada dia os rumos do congresso brasileiro. As CPI’s que, por vezes, assemelham-se a apresentações de circo e as divergências entre Governo e oposição, atenuadas apenas por alianças em nome de dinheiro e poder, têm colaborado para o desapontamento da população em relação à política brasileira.
Dados de 2002 apontam que pouco mais de 80% das pessoas aprovam a Democracia como a melhor forma de governo. Entretanto, mais de 62% se dizem insatisfeitas com o funcionamento desse sistema. Mas essa não é a notícia mais alarmante, a mesma pesquisa aponta ainda que, hoje, se o voto não fosse obrigatório, 45% da população ou, aproximadamente metade do país, não votaria.
Para o vereador do PMDB de Salto de Pirapora, base aliada do Governo, Adinã de Oliveira Andrade, dar mais transparência ao sistema político e politizar a população seriam importantes medidas para amenizar o pessimismo dos cidadãos em relação à política. “Transparência dos atos e o cumprimento das leis é um método eficaz para que as instituições democráticas ganhem a confiança das pessoas”, afirma.
Em entrevista recente, veiculada no jornal sorocabano, Cruzeiro do Sul, o ex-presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, disse que a única saída para o país seria enfrentar a reforma política, pois somente assim poderíamos diminuir a descrença da população. Vereador pelo PSDB, mesmo partido de FHC e de oposição ao Governo Lula, Luiz Leite, cita outros motivos. “As instituições como o legislativo, o judiciário e o executivo, mídia inclusive, precisam ter claras as suas relações com os cidadãos”, diz. E vai além, afirma que estas instituições parecem ter perdido a razão de sua existência para a constituição do Estado.
Outro problema encontrado pelo vereador tucano e confirmado nas pesquisas é que, com as constantes crises, surja um “salvador da pátria”, alguém com a solução para todas as crises do país. Nas pesquisas feitas pelo ESEB, Estudo Eleitoral Brasileiro, ao serem questionadas sobre a melhor forma de resolver os problemas no país, 48% das pessoas, responderam que era preciso um líder, “alguém que colocasse as coisas no lugar”. Para Luiz Leite, isso pode sufocar a Democracia no país.
Acontecimentos assim são facilmente explicados no Brasil, no qual a população mantém seu costume de votar em pessoas, não em partidos. Um dos grandes motivos que levam cerca de 60% das pessoas a não confiarem em partidos políticos, 37% os acharem ruins e 19,7% péssimos, são as alianças de aluguel. O número excessivo de partidos causa estranheza a cientistas políticos, uma vez que se torna impossível a existência de tantas ideologias distintas acerca do sistema de governo nacional.
Para que o poder executivo, legislativo e o judiciário, assim como todas as instituições que compõem a Democracia voltem a contar com a confiança da população são necessárias muitas coisas. Para os dois vereadores, a clareza e o compromisso com os cidadãos devem vir em primeiro lugar. A transparência em relação à população é outro importante elemento. O modelo de Democracia participativa é uma das soluções apresentadas pelo vereador tucano, Luiz Leite. Para 58% da população essa é uma boa medida, segundo os dados do ESEB.
As Reformas Políticas aparecem sempre no âmbito de uma crise na política nacional, porém nunca são postas em prática. Ao serem perguntados sobre essa demora, os dois vereadores, Governo e oposição, não quiseram ou não souberam responder. Ambos afirmaram apenas que elas são de fundamental importância para o país. Mas, para a população, não basta isso. Os entrevistados acreditam que devem ser pauta do Governo e do Congresso, o desemprego, seguido pela fome e a violência.
As Reformas Políticas aparecem sempre no âmbito de uma crise na política nacional, porém nunca são postas em prática. Ao serem perguntados sobre essa demora, os dois vereadores, Governo e oposição, não quiseram ou não souberam responder. Ambos afirmaram apenas que elas são de fundamental importância para o país. Mas, para a população, não basta isso. Os entrevistados acreditam que devem ser pauta do Governo e do Congresso, o desemprego, seguido pela fome e a violência.
Texto: Anderson Oliveira
Entrevistas: Camila Sarrico e Eduardo Ribeiro Jr.
* Matéria produzida para a disciplina de Teoria Política, em maio de 2008, sob a orientação do Prof. Dr. João José de Oliveira Negrão.
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