Em qualquer um dos parques turísticos de Salto, o maior e mais importante rio paulista aparece como atrativo principal. O Rio Tietê, que ao longo dos séculos propiciou a exploração do sertão de São Paulo, é tomado nos atrativos municipais em sua história, seu percurso e em todas as peculiaridades do curso d’água responsável pela descoberta de um país que não era apenas litoral. Das expedições de bandeirantes e jesuítas, passando por artistas e estudiosos, o rio, devido a sua riqueza, tornou-se importante símbolo de discussão econômica, histórica, ambiental e cultural. Não bastando tudo isso, a natureza proporcionou ainda uma grande cachoeira, chamada pelos índios de Ytu-Guaçú (Salto Grande). "Disso advém o potencial turístico de Salto. É impossível falar em turismo nessa cidade desconsiderando o Rio Tietê", afirma o secretário da Cultura e Turismo, Valderez Antonio da Silva.
Dedicado à história e ao rico ecossistema, o Memorial do Rio Tietê, um dos atrativos mais visitados de Salto, é uma iniciativa da cidade de tratar das questões ambientais, históricas e culturais. Dentro do Complexo Turístico da Cachoeira, à margem direita do rio, o lugar conta a história do Tietê, da nascente à foz. Na busca da conscientização ambiental, documentários apresentados em um auditório, nas dependências do memorial e em monitores espalhados pelo lugar, tratam da poluição e outras questões ecológicas.
A exploração turística do Tietê continua em mais dois parques, ambos à margem do rio, enaltecendo a mata ciliar e as corredeiras próprias da região. "São ótimas iniciativas, pois chamam a população e os turistas à conscientização sobre a importância da recuperação e preservação do Tietê", destaca o presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Sorocaba e Médio-Tietê, o Wendell Rodrigues Wanderley.
Um complexo de atrativos, contrasta com um rio poluído, destituído de sua beleza natural. "A sensação que fica é um misto de paz proporcionado pelo lugar e de indignação diante do desprezo dos homens pelo local", conta Guilherme Guarnieri, morador da cidade. O mesmo pensa o secretário Valderez, "fica a indignação, sim, e isso acaba acelerando o processo de despoluição, pois a cada vez que vem um jornalista aqui e se irrita com essa demora, mais o tema é tratado". O mesmo vale, diz o secretário, para as iniciativas. "Se ficássemos esperando que o rio fosse despoluído para fazer tudo isso, ficaríamos sempre na espera, e nada seria feito".
Hoje, quase todos os planos municipais têm o Tietê como elemento principal. Dentre os projetos já em curso, prevê-se o turismo também em caráter educacional e de conscientização ecológica, através da Ilha da Usina, próxima ao Complexo da Cachoeira. O lugar conta com flora e fauna preservada desde os anos 1920, quando foi construída a usina hidrelétrica que abastece a cidade. Outro projeto já em execução é o que possibilita a navegação turística do Tietê. Cogita-se, ainda, que o projeto estadual de navegar pelo rio também tenha Salto como uma das cidades beneficiadas.
O rio, que possibilitou inúmeros feitos, visto pelo secretário Valderez e pelo ambientalista Wendell como uma sala de aulas, é e sempre foi um importante atrativo turístico. "Antes mesmo que existisse o conceito de ‘turismo’, o rio já atraia artístas, estudiosos e até mesmo pessoas que só queriam desfrutar dessa paisagem proporcionada pelo Tietê", conta Valderez Antonio. Em fevereiro, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - Sabesp, informou que daqui a nove anos o rio estará despoluído em Salto, o último município depois da Grande São Paulo que ainda sofre com a poluição do Tietê.
Reportagem e foto: Anderson Oliveira
*Matéria publicada no Jornal Ensaio, da Universidade de Sorocaba
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